terça-feira, 28 de julho de 2009

Felicidade

Estou feliz!!!!!!!!!!!!!!!!!! Isso basta.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A saudade que a gente pinta

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo. Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...
Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.
"- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você...".
E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro. Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça. "... Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes. E de novo começavam as estórias.

A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre. Mas chegava sempre uma hora de tristeza.
"- Tenho que ir", ele dizia."- Por favor não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar...."."- Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "-- Eu também vou chorar.Mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.

Assim ele partiu. A menina sozinha, chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma idéia malvada. "- Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz". Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com estórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro.

"- Ah! Menina... Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias...". Sem a saudade, o amor irá embora... A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar.

Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu amigo...Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola.

"- Pode ir, pássaro, volte quando quiser...". "- Obrigado, menina. É, eu tenho que partir. É preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar... " E partiu. Voou que voou para lugares distantes. A menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.

"- Que bom, pensava ela, meu pássaro está ficando encantado de novo...". E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, colocava flores nos vasos... "- Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje...S em que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro. Porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum lugar ele haveria de voltar.
AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama... E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.
"- Quem sabe ele voltará amanhã... "E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

Rubem Alves

terça-feira, 16 de junho de 2009

Coisas boas prá se pensar neste momento....

"Esta é uma importante dica de expansão: ela é um ato de coragem e valorização. Expandir-se com timidez é querer iludir-se de um processo que não está acontecendo. Quando aceitamos menos do que deveríamos, incorremos num erro que nos levará a outras perdas. Tenha sido por medo, falta de ambição, ou o que seja, lembre-se que o equilíbrio não está em fazer-se uma transação de forma minimalista. Toda negociação exige um esforço por maximizar. Evitando cair-se na arrogância, na ganância ou na cobiça, devemos buscar sempre o que nos é merecido. O problema não é ter menos, mas buscar menos." (Nilton Bonder)


"Acontece algumas vezes que não achamos bom o chá. Descobre-se a causa quando se chega ao fundo da xícara: era o açúcar. Não estava faltando, mas estava no fundo. Teria sido necessário mexer. Talvez o que esteja faltando à nossa vida também tenha ficado no fundo. Nossa vida talvez não tenha sabor porque não temos a coragem de ir ao fundo das coisas ou porque não queremos. Fazemos caretas como ao tomar chá sem açúcar. Precisamos fazer o esforço de mexer a vida, de tocar nos segredos de deus em nós." (Philippe Zeissig)

"Preciso de serenidade, para aceitar as coisas que não posso mudar. Coragem para mudar o que posso. E sabedoria, para conhecer a diferença." (Reihold Niebuhr)


Por fim...

Verbete coragem

substantivo feminino
1 moral forte perante o perigo, os riscos; bravura, intrepidez, denodo

2 firmeza de espírito para enfrentar situação emocionalmente ou moralmente difícil

3 qualidade de quem tem grandeza de alma, nobreza de caráter, ombridade

4 determinação no desempenho de uma atividade necessária; zelo, perseverança, tenacidade

5 capacidade de suportar esforço prolongado; paciência

Afinal, como diz o grande Guimarães: "O que a vida quer da gente é coragem!!!"

terça-feira, 9 de junho de 2009

Amigos... ah, os amigos!!!

Ai, essa dor que se chama AMOR...
Como sempre, meu amor, a parte teórica, consciente, filosófica, racional você domina brilhantemente.
Não há o que acrescentar às suas conclusões.
O que resta ser feito?
Cuidar desse seu coração que sabe amar de verdade, que sabe muito o que deseja e que é incansável na busca por fortes emoções. Pra pessoas como eu e você que acreditamos no destino, e principalmente, acreditamos em uma força maior que nos guia e determina o caminho pelo qual precisamos passar, "empurrões" da vida deveriam ser até esperados, mas a gente nunca tá preparado quando a vida não esperou a "nossa hora". Mas enfim, também já sabemos como ela é, parece a mãe da gente quando somos criança: "Larga isso e vai tomar banho A-G-O-R-A"
Ainda bem que já aprendemos que a melhor professora do universo é uma senhora chamada DOR.
Ela é fabulosa aos nos conceder um diploma de Doutores em AUTO CONHECIMENTO.
E eu acho que é isso. Como você mesmo disse, você enxerga caminhos diferentes do dele, inclusive já me disse isso mais de uma vez. Apesar dessa consciência toda da situação, você estava vivendo esse relacionamento da maneira mais adequada que pode fazer um predestinado, curtindo o seu presente dia após dia e se entregando totalmente... com toda cumplicidade, com todo amor, com toda família e todos os planos.

Talvez chegou a hora, minha linda, a hora de vir a inspetora da escola da Prof. Dor. A inspetora que se chama Dona Mudança, e ela é muito mais bacana que a Dor. Sua didática é totalmente voltada pra uma coisa que adoramos e que se chama POSSIBILIDADES. A dona Mudança como eu disse é apenas uma inspetora, ela vem pra te analisar, confirmar seu aprendizado e te mudar de nível... E esse momento é má-gi-co!

Perder o emprego, terminar um namoro, mudar, mudar, mudar... renovar-se dos pés a cabeça, abrir o coração, viver novas histórias... Definitivamente eu acho, que no seu caso, nem é uma possibilidade, é uma missão, é seu destino.

Acho que essas palavras são as mais conscientes do seu estado e ao mesmo condizente com sua personalidade que eu poderia te escrever.

Tô aqui, mas tô aí, o dia, hora, minuto ou segundo que você precisar.
Te amo e cotinuo aqui como nunca torcendo, torcendo e torcendo mais um pouco pra te ver transbordando de alegria.

Devolvendo suas palavras:

"Você é minha estrela, você não pode parar de brilhar. A gente espera isso de você"

Não vou te mandar superar... apenas junta tudo, joga nas costas e volta correndo pro seu caminho."

O que dizer? Ah... os amigos!!! Como dizia Vinícius: "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!"

segunda-feira, 8 de junho de 2009

It's over! Good luck.

Com tristeza, com conciência, com saudade, com emoção...
Costume, tempo, confiança, amor e desejo que as coisas aconteçam sempre e melhor.
Firmeza, razão e coração travando uma batalha em que provavelmente não haverá vencedores.
Mas a decisão se torna inevitável em momentos que precisam dela.
Desejos de boa sorte. A nós.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A ruina nos dá lições de vida

1995. Ouvi pela primeira vez a leitura deste texto. O releio constantemente. Em vários momentos para me relembrar de que " a função do sobrevivente é sobreviver reconstruindo."


A ruína nos dá lições de vida. Desabam prédios no centro da cidade do México num estrondoso terremoto. Racham pias, os espelhos se partem, água escura irrompe das paredes e tudo começa a afundar. Na rua os carros balançam igual gelatina, começa uma chuva apocalíptica de vidros e depois tijolos, ferro e pó, até que a morte se esconda sob os escombros.Mas a todo instante nos chegam notícias de que bebês sobreviveram seis dias sob os destroços, casais resistiram sob os entulhos, e outros, apesar de desabarem inteiramente com os edifícios, chegaram ao solo intatos.Então é lícito pensar que, embora muitos pereçam, a ruína nos dá lições de vida. Pois desabam os casamentos, os negócios, a saúde e os regimes, mas não se sabe de onde nem por que milagre surgem forças, propiciando o resgate e nos livrando do total aniquilamento.Todos já estivemos e estaremos em algum terremoto. Um terremoto é quando a paisagem nos trai. Um terremoto é quando se quebrou a solidariedade entre o seu ponto de vista e as coisas. Um terremoto não é só quando o caos demoniacamente toma conta do cosmos. Um terremoto, eu lhe digo o que é: é a hora da traição da natureza. Ou da traição também dos homens, se quiserem. Um terremoto, minha amiga, é quando como agora você está se separando. Você me diz de soslaio, como que saindo, querendo-e-não-querendo conversar, você vai me dizendo que seu casamento está desmoronando. Você está embaixo da pele, com a voz meio sepultada lançando um grito de socorro, e aqui com a equipe de salvamento lhe posso apenas lançar a frase: a ruína nos dá lições de vida.Terremoto é a hora da traição do amigo, que invejoso concorre como inimigo e lança fel onde a amizade era mel, e envenena a rima de seus dias sendo Caim em vez de Abel.Por isto, há que afixar conselhos sobre a hora do terremoto. Como nos abrigos antiatômicos, nas indústrias do perigo, há que adiantar as medidas a serem tomadas quando o terremoto vier. Daí o primeiro conselho em caso de tal tragédia: não entre em pânico acima do tolerável. Lembre que todo terremoto é passageiro. Porque este é o sortilégio dos terremotos: nenhum terremoto é permanente, embora muitos e tanta coisa nele pereçam para sempre. Mesmo os mais profundos e autênticos cataclismos não duram mais que pouquíssimos, embora diabólicos, minutos. Vai ser terrível, mas vai passar.Outro conselho: embora rápido e fulminante, nada garante que ele não torne a se repetir. Há que estar atento também para o fato de que esse movimento de terra é interior e exterior. O que desabou por cima não é tudo. É sintoma apenas do que se moveu por baixo. Naqueles terremotos do México, depois do primeiro e do segundo, as agências noticiaram um outro, mas que foi apenas subterrâneo. Diziam: é a acomodação das camadas geológicas. Incômoda acomodação é essa. Mas um terremoto autêntico vem mesmo das profundas e a superfície só vai se acalmar quando as camadas geológicas lá dentro se ajeitarem de novo.Sobretudo, depois do terremoto há que aprender com as ruínas. Por que os engenheiros que me perdoem, mas a ruína é fundamental. É a hora do retorno. E se vocês me permitissem discretamente citar Heidegger, com ele eu diria que a ruína só é negativa para aquele que não entende a necessidade da demolição. Pois a tarefa do homem é refazer-se a partir de suas ruínas. Temos mais é que catar os cacos do caos, catar os cacos da casa, catar os cacos do país. Depois da demolição das fraudes, desmontando a aparência do ontem, poderemos nos erguer na luminosidade do ser. Ruína, neste sentido, não é decadência. Ao contrário: é a hipótese do soerguimento.As ruínas do presente nos ensinam que um terremoto é quando não há mais o centro das coisas. E no México foi o centro, o centro do centro ¾ a capital, que foi arrasada. Mas aprendendo com a ruína, ali já nos prometem o verde. Já tracejam planos de jardins onde crianças e flores povoarão o amanhã.Amigo, amiga: terremotos ocorrem sempre e muitos aí perecem. Mas a função do sobrevivente é sobreviver reconstruindo.A ruína, além da morte, nos dá lições de vida.

Afonso Romano de Sant'Anna

quinta-feira, 14 de maio de 2009

É impossível


"Ver um bichano pelo chão e naõ sorrir"


Alento, carinho silencioso, falta de conselhos e entendimento. Um olhar, um afago, um cafuné, uma companhia te esperando na porta de casa ou na porta do banheiro. Um aconchego se ajeitando em cima do pé. Uma mordida sem dor e despretencioosa. Uma brincadeira e uma preocupação. Alguém que te espera e que está perto. Dentro de casa é quase somra. Te acompanha, deita, levanta, quantas vezes forem necessárias. Se esparrama pelo chão e te olha como se disesse: "Calma, eu tô aqui."